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O Restaurante Boragó figura na lista dos 50 melhores restaurantes da América Latina, mais especificamente em 8º lugar. Quando marcamos a nossa viagem para a cidade nós estávamos loucos para conhecer este restaurante e realmente ter uma experiência gastronômica neste lugar. O Boragó é um restaurante diferente de tudo que nós já tínhamos visitado, o objetivo do restaurante é unir, com a mais bela harmonia dois elementos, a natureza e a cozinha! Me explico, o Boragó é um restaurante Endêmico, ou seja, ele trabalha com tudo o que o solo do Chile oferece, como frutas, flores, plantas, terra e outras coisas mais! O Boragó é o tipo de restaurante que ou você ama ou você detesta, no nosso caso, nós amamos!!

Boragó

Boragó

Não há menu no restaurante, a única opção é o menu degustação composto por 10 pratos, que pode ser harmonizado com vinho ou suco e o valor é R$240,00 por pessoa. O legal do menu degustação é que a cada prato servido vem a pessoa que o elaborou para explicar toda história que existe por trás daquela criação! Além disso a decoração do restaurante é bem clean, o destaque fica para a cozinha envidraçada onde é possível ver toda a ação dos chefs de cozinha, que preparam cada prato com o maior cuidado, até pinças são usadas! Não se esqueça que é obrigatório fazer reserva!

Vocês irão perceber ao longo da explicação que algumas coisas nós não temos nem ideia do nome, cada cozinheiro tentou nos explicar “tin tin por tin tin”, mas confesso que certas coisas nem se desenhasse a gente iria entender!

Couvert:

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Começamos a nossa experiência com as deliciosas tortillas servidas com cinza, sim é isso mesmo que você leu, CINZAS!!

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Uma massinha muito fina e delicada recheada com um patê que era levemente adocicado.

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Beterraba curtida no vinagre de maçã servida com iogurte de lactobacilos, yep isso mesmo!!

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O segundo prato engraçado da noite, a ora que olhamos, pensamos “jura que eles vão fazer a gente comer terra? “, mas depois da explicação vimos que a “terra”era feita com pão ralado e tinta de lula, por baixo havia um delicioso purê feito com pimentão, tomate, coentro e farinha tostada. Para acompanhar foi servido um pan de marraqueta , que é o nosso conhecido pão francês.

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Para começar experimentamos uma salada de pepino, que eram marinados no mel com ruibarbo, e este molho verde é azeite de pino com maçã orgânica. Este prato ao descrever parece ser a coisa mais simples, mas na verdade ele foi um dos mais interessantes, pois apesar da matéria prima principal do prato ser o pepino, cada um tinha uma textura e gosto completamente único. Alguns eram mais ácidos, outros adocicados, outros extremamente crocantes e por ai vai…

Vinho: Para acompanhar este prato foi servido um vinho feito com a uva Riesling, que é bem leve e perfeito para começar uma degustação. Silgle Vineyar 2011.

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Depois comemos um incrível prato feito com batatas, iogurte que lembrava muito coalhada, estes pontos pretos lembravam sucrilhos, e a única coisa que sabemos é que eles eram tingidos na tinta de lula e esse verde eram salsinhas!

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No Chile existe um prato muito comum chamado Curanto, onde as famílias fazem um buraco no terra, e cozinham lá mesmo. Dentro do buraco vai a panela, onde é colocado, carne, mariscos, legumes e água, depois esta panela é tapada com alga e lá estas carnes ficam cozinhando por muitas horas. Este prato que comemos é uma reprodução de como é feito o Curanto, para nós foi servido este caldo com um sabor bem forte e com um gosto marcante de mariscos, para acompanhar nos galhos vocês encontram um pão feito de batata, que tinha um sabor neutro para suavizar o caldo. Na hora que vimos o prato, pensamos e ai o que vamos comer daqui? Acho que todo mundo pensa a mesma coisa, então o cozinheiro foi logo falando o galho não é comestível, ufaa…

Vinho: O vinho que acompanhava era um chardonay de 2008 chamado Louis Antoine Luyt, que é um vinho que não é filtrado e não é oxigenada. Este é um vinho bem turvo.

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Congrio servido com um purê “del mar”. O purê é feito de uma alga chamada cochayuyo (google it), e ao lado era uma planta chilena que é encontrada nas pedras chamada carnosa. O peixe tinha um sabor bem suave e uma carne muito macia, já o purê tinha uma consistência mais pastosa e a carnosa (plantinha) lembra muito o limão! Adoramos conhecer tantos sabores locais em um único prato!

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Este prato também era muito curioso, o nome é Chupe, que é um creme muito saboroso feito apenas com pão, leite e cebola. Em cima foi servido um cogumelo desidratado chamado Morillas.

Vinho: Gillmore Hacedor de mundos, Merlot 2007

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O nome deste prato é Ternera, que é o nome dado ao bezerro. A carne fica cozinhando lentamente por 40 horas, o que fez com que o seu resultado final seja espetacular, esta carne acompanha um leite caramelizado e alfafa, o porque disso tudo? Tudo que está no prato tem um sentido, o bezerro se alimenta da alfafa, e ela da o leite e por fim a gente come esta carne, entendeu o ciclo da natureza?

Vinho: Villalobos, 2012 – Viñedo Silvestre, Valle de los Artistas-lolol

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A hora que a sommelier chegou com estes “copos”quase morri de rir, fiquei pensando o que iríamos experimentar!! Ai ela colocou um espumante chamado Chicha Premium, que é levemente adocicado e muito bom!! Ainda mais tomando neste “chifre”posso chamar assim?

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Na minha opinião este prato deveria ser chamar fantasminha camarada, não é igual o do filme?? Bom o fantasma era tipo um marshmallow, o algodão doce era feito com açúcar mascavo, também tinha um sorvete de ricota que derretia na boca, pedaços de doce de leite e calda de vanila! Muitoo bom, o legal era pegar tudo junto e sentir as diferentes texturas.

Sobremesa:

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A penúltima sobremesa, quase que não tiramos foto, porque o bolinho era muito frio por fora e quente por dentro, se demorássemos para comer o creme de dentro iria congelar, mas bom comer rápido e ainda quando a coisa está boa não é um problema!! Este galho em cima era de pinho e as bolinhas eram pequenos parasitas que se formam no galho, e sim era comestível!!

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Uma das melhores sobremesas que já comemos, feita com sorvete de chirimoya negra, que tem um leve gosto de laranja, mousse de casca de laranja, chips de cenoura e uma espécie de cogumelos chamada Digueñes, que é bem adocicado.

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Para finalizar e fazer a gente quase morrer de tanto rir e sair com um astral lá em cima, foi servido um merengue de menta. A hora que chegou o maitre já falou sem foto, come muito rápido, ahammm sem foto não vai rolar…. mas depois do flash colocamos o merengue inteiro na boca, e como eu disse foi mix de sensações e muita risada!! O merengue chega à mesa saindo fumaça de tão gelado que ele esta, -40 graus, quando colocamos na boca a fumaça começou a sair por todo canto, nariz, boca, foi demais e muito refrescante!! A ideia deste prato é limpar o paladar, para que o comensal saia leve do restaurante e não pareça que comeu 10 pratos, o melhor de tudo e que foi exatamente assim que saímos do jantar!

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Como vocês puderam ver a nossa experiência no Boragó foi única e algo totalmente inusitado. Fomos embora muito felizes por termos saído da nossa zona de conforto e que experimentamos ingredientes locais que nos surpreenderam muito pelo sabor, textura e a aparência!! Durante o jantar rolaram altas risadas, pois os pratos são realmente muito diferentes, e as vezes um pouco estranhos, mas o que importa e que foi sensacional!! A detalhe um jantar nunca é igual ao outro!!

Boragó:

Chile – Santiago

Endereço:Vitacura 8369

Telefone:+56 2 224 8278